Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

UM LIÇÃO DE AMOR: CONHEÇA A HISTÓRIA DAS UNICAS TRIGÊMEAS SURDAS-CEGAS DO MUNDO

No quarto das trigêmeas, há três pequenas camas, mas Zoe costuma dormir numa cadeira de brinquedo em forma de saquinho de feijão. Emma prefere a caixa de brinquedos, isso se conseguir dormir. Há noites em que ela passa horas pulando e espalhando cobertas e brinquedos, arremessando-os o mais longe possível. Apenas Sophie, cuja pouca visão só lhe permite divisar formas a curta distância, permanece enrolada nas cobertas durante a maioria das noites. Para suas irmãs, “cama” é um conceito sem qualquer sentido.

Elas têm 7 anos e são as únicas trigêmeas surdas-cegas do mundo. Testes revelam que a inteligência das meninas é normal, mas a privação sensorial impôs grave atraso a seu desenvolvimento. Embora Sophie consiga percorrer espaços familiares por conta própria, ela só diz frases de três palavras e utiliza linguagem de sinais em nível de jardim-de-infância. Emma só consegue sinalizar quatro palavras, dizer o próprio nome, e “Mama” e “Dada”. Zoe sinaliza mais de uma dúzia de palavras, mas pronuncia apenas uma: “go” (ir, ou vá). A exemplo de Emma, ela também usa fralda.

Rotina das trigêmeas

Há até pouco tempo, as manhãs na casa de Liz e George Hooker, num subúrbio de Houston, Texas, costumavam ser caóticas. A mãe e o padrasto das meninas acordavam às cinco e meia. Enquanto George arrumava o quarto, Liz dava banho e vestia as trigêmeas. Tinha também de adivinhar o que as meninas queriam comer, pois, se errasse, a comida acabava no chão. No café-da-manhã, Zoe sentava-se com a testa contra a mesa; para estimular-se, balançava-se e produzia zumbidos e sons estridentes. Emma ficava virando o rosto de um lado para o outro.
Em meio a tudo isso, a irmã mais velha, Sarah, 11 anos, tinha dificuldade para obter atenção dos pais. Se precisasse de ajuda com o dever de casa ou para solucionar algum dilema social da pré-adolescência, teria de esperar.

O ônibus escolar chegava às sete horas para levar as trigêmeas a uma instituição especializada que parecia dispor de poucos meios para ajudá-las. “Nessa época”, relembra Liz, “estávamos à beira do colapso.” No entanto, ela e George trabalhavam como autônomos e reservavam os poucos momentos livres para levar adiante sua missão: libertar as trigêmeas – e outras crianças como suas filhas – daquela prisão.

Por fim, em 2007, os Hookers começaram a receber auxílio para sua causa. Conquistaram vitórias surpreendentes, e o dia-a-dia da família adquiriu um ritmo bem diferente.

Causas da deficiência visual e auditiva das trigêmeas

Das 45 mil pessoas surdas-cegas nos Estados Unidos, estima-se que 11 mil sejam crianças. As causas variam de problemas genéticos a acidentes domésticos. As trigêmeas, nascidas em 30 de abril de 2000, quando Liz estava apenas na 24ª semana de gravidez, passaram os primeiros meses de vida no hospital. Como ocorre às vezes com prematuros, seus olhos foram lesionados por causa do crescimento anormal dos vasos sanguíneos. Depois, para evitar uma infecção, as meninas receberam um coquetel de antibióticos. A medicação teve um efeito colateral devastador: a destruição dos folículos – minúsculos pelos responsáveis pela audição e o equilíbrio, situados ao longo do ouvido interno.

A princípio, Liz só sabia que as trigêmeas eram cegas. Então, interrompeu sua carreira de produtora de vídeo para cuidar delas. Seu complicado primeiro casamento entrou em parafuso: ela e o marido acabaram se separando. Só quando as três meninas estavam com 1 ano e 8 meses é que Liz percebeu que havia algo mais de errado. Elas começavam a aprender a pronunciar as primeiras palavras e dar os primeiros passos quando, de repente, pararam de falar e até de se sentar. As três desabavam no chão, batendo a cabeça com força. Quando recebeu o diagnóstico, Liz se deitou no chão da sala de estar e começou a gritar. “Eu tinha sonhos para elas”, conta. “Ia ensiná-las a dançar. Senti como se fosse o fim do mundo.”

Embora o senso de equilíbrio retornasse, a surdez permaneceu. Pouco antes de completarem 3 anos, Liz levou-as para fazer um implante coclear – a colocação no ouvido de um dispositivo que envia sinais para o nervo auditivo. Esses implantes podem fazer maravilhas em algumas pessoas, mas as trigêmeas não demonstraram quase resposta alguma. Impedidas de receber estímulos sensoriais, elas haviam perdido a capacidade de identificar o sentido do som que os dispositivos implantados transmitiam.

Você se casaria com alguém que tivesse trigêmeas surda-cegas?

Com três crianças tão dependentes para cuidar, Liz não conseguia atender às próprias necessidades, quanto mais às de Sarah. Acabou entrando em depressão. Foi quando, certo dia em 2003, esbarrou no website de um ex-namorado e achou que ele pudesse ajudá-la a encontrar um meio de seguir em frente. Liz e George haviam namorado por dois anos na faculdade, mas o medo que ele sentia de assumir compromissos levou-a a terminar o relacionamento. Ela sempre se perguntava sobre como teria sido a vida se tivesse dado uma segunda chance a ele.

George também se tornara produtor de vídeo e morava por perto. Reunindo forças, Liz ligou para ele. No primeiro encontro, George confessou que nunca a esquecera, e Liz percebeu que sentia o mesmo. Ela esperou uma semana para revelar a verdade sobre suas filhas, temendo que ele fosse embora. Não foi. “Nada mais fiz nesses 32 anos senão cuiddddddar exclusivamente de miim”, reconheceu George. “A volta de Liz mudou tudo em minha vida.”

Casaram-se um ano depois. George diminuiu seu trabalho para dedicar mais tempo à nova família. Tanto ele quanto Liz conheciam a história de Helen Keller, que perdera visão e audição por causa de uma doença, e aos 7 anos era tão inatingível quanto as trigêmeas. Conforme mostrado no filme ganhador do Oscar de 1962, O milagre de Anne Sullivan, do cineasta Arthur Penn, a salvação de Keller veio na pessoa de Anne Sullivan – professora que a acompanhou por cinco décadas.

Anne estimulou o sentido do tato para reconectar sua aluna ao mundo. Ela colocou Helen em contato com cada elemento do ambiente que a cercava, utilizando linguagem táctil de sinais (mediante um código de toques na pele) para traduzir a experiência em palavras. A menina selvagem logo começou a se transformar num ser humano de dotes surpreendentes.

Programas de eduação especial para portadores de deficiências sensoriais

Hoje, especialistas como Anne Sullivan são conhecidos como “educadores especiais”. O número destes educadores especiais, porém, é pequeno, e seu treinamento, em geral, precário. Nos Estados Unidos, a maioria dos educadores especiais assiste a um seminário de dois dias e depois aprende o restante na prática. Contratados geralmente por escolas públicas, trabalham em sala de aula, em vez de na casa do aluno.

Isso não era o ideal para Liz e George. Em 2003, eles visitaram a Escola Perkins para Cegos, perto de Boston, onde Helen Keller havia estudado. Lá conheceram alunos surdos-cegos cujo desempenho acadêmico e habilidades sociais os impressionaram. Um dos alunos mais antigos confidenciou-lhes que, quando mais jovem, fora igual às filhas deles. “Foi então que dissemos: ‘Agora que sabemos o que é possível fazer, não nos contentaremos com menos’”, relembra George. Mas o custo do programa para surdo-cego – 225 mil dólares por aluno, por ano – não era coberto pelo plano de saúde e estava muito além da capacidade do casal. De volta ao Texas, Liz e George matricularam as filhas em vários cursos extracurriculares. Trataram também de encontrar sua própria Anne Sullivan.

Educadores Especiais: como ensinar no silencioso e escuro universo das trigêmeas

Numa loja do Wal-Mart, McKenzie Levert leva Zoe às compras. Moça alta, 28 anos, McKenzie deixa que Zoe esprema um tubo de pasta de dentes e experimente prendedores de cabelo. No departamento de brinquedos, a menina sobe num carro elétrico. Com o auxílio de McKenzie, pressiona o pedal do acelerador. A batida que se segue não é grave, e Zoe sinaliza: “De novo.”

McKenzie se formou em educadora especial no curso de dois anos da Faculdade George Brown, de Toronto, no Canadá, considerada a melhor do mundo nessa especialidade. Mudou-se para Spring, a fim de se dedicar à mais necessitada das trigêmeas. Todo dia útil, às oito da manhã, ela tira Zoe da cama e inicia um programa de treinamento sobre os princípios básicos da vida diária – de higiene e preparação de alimentos a navegação (ou seja, aprender a avaliar posição, rumo e distância ao percorrer seus caminhos) e comunicação. Após o banho e o café-da-manhã, McKenzie a conduz escada acima para um quarto aparelhado com uma mesa infantil e uma caixa cheia de material didático.

McKenzie reforça as palavras faladas com sinais de tato. Para cada atividade – brincar, assar bolo, fazer compras –, ela entrega a Zoe um cartão com a palavra escrita em braile e um objeto simbólico (uma bola, um batedor de ovos, um saco plástico) anexado para reforçar a compreensão. Há lições de classificação de formas, exercícios de vocabulário e sessões de brincadeira com massinha. Às quatro da tarde, quando McKenzie vai para casa, Zoe fica com um ar de alegre exaustão.

Para Liz e George, não foi fácil encontrar uma educadora especial como McKenzie Levert. Contratar três era impossível. Os Hookers queriam alguém formado pela Faculdade George Brown, mas o preço – 50 mil dólares por ano – excedia a renda anual da família, e nenhum plano de saúde cobria esse tratamento.

DeafBlind Children’s Fund (Fundo para Crianças Surdas-Cegas)

Eles sabiam que outras famílias também passavam por essa dificuldade. Fundaram, então, uma organização chamada DeafBlind Children’s Fund (Fundo para Crianças Surdas-Cegas), com o objetivo de proporcionar um educador especial para cada criança que precisasse. A primeira beneficiária foi a trigêmea que apresentava maior nível de frustração. Sophie finalmente começava a compreender a linguagem; Emma parecia estar relativamente serena. No entanto, quando Zoe queria algo e não conseguia dizer o que era, socava-se no rosto. “Ela era muito motivada”, diz George, “mas não tinha para onde dirigir sua motivação.”

No fim de 2006, a organização realizou seu primeiro evento para arrecadar recursos: um torneio beneficente de golfe que possibilitou angariar o suficiente para contratar por um ano uma profissional formada pela George Brown. Pouco depois, o casal foi ao programa de TV do Dr. Phil, no qual o famoso terapeuta anunciou que sua fundação pessoal, em parceria com um site de empréstimos, doariam 50 mil dólares para cobrir a remuneração da educadora especial por mais um ano.

McKenzie reiniciou os trabalhos em março de 2007. Desde então, Zoe tem apresentado um progresso notável. Já consegue sinalizar 15 palavras – cinco vezes mais do que conseguia antes da chegada da educadora. Antes tão notívaga quanto Emma, agora dorme a noite toda. Também está mais calma e atenta, e já é capaz de escovar os dentes, vestir-se e servir-se de biscoitos.
Algum dia Zoe vai conseguir manter uma conversa, ler um livro e até arranjar um emprego ou se casar. “Por enquanto”, comemora McKenzie, “é maravilhoso vê-la tornar-se uma menina de 7 anos.”

Zoe não é a única da família cuja vida tem melhorado. Graças à educadora especial – e a um grupo de ajudantes fornecidos por um programa governamental de auxílio aos deficientes –, os pais das meninas têm mais tempo livre para trabalhar. Com “bicos” em vídeo e design, além de sustentar a casa, eles já conseguiram 125 mil dólares para o DeafBlind Children’s Fund.

Liz e George também podem dar mais atenção a Sarah, cujas notas em Matemática e a relação sorrisos/cara amarrada têm melhorado muito. Eles têm trazido Sarah e Emma da escola e levado Sophie até o jardim-de-infância. A confusão matinal com relação ao ônibus escolar terminou. Emma foi avaliada por um instrutor da Faculdade George Brown no ano passado, e é a próxima da fila para receber um educador especial de longo prazo. Depois, será a vez de Sophie.

Embora o fundo pretenda ajudar centenas de crianças, problemas de imigração ameaçam a ida de mais educadores especiais do Canadá para os Estados Unidos. A família tem feito lobby junto a legisladores para alterar as regras. E tem apoiado esforços para melhorar a formação de educadores especiais no próprio país.

Enquanto isso, Liz e George são gratos pelo longo caminho que a família já percorreu. Certa noite, num restaurante mexicano da vizinhança, um mariachi começou a tocar para eles. O rosto de Emma iluminou-se com ar de puro encantamento. Ela tem demonstrado interesse pela música.

A mãe a observa com esperança. “Algum dia serei capaz de lhe perguntar no que andou pensando todos esses anos”, imagina. “Não vejo a hora em que conseguirei penetrar na mente e no coração de minhas filhas.”

Domingo, 14 de Dezembro de 2008

DIA NACIONAL DO CEGO ALERTA PARA FALTA DE FISCALIZAÇÃO SOBRE DIREITOS DOS DEFICIENTES

O Dia Nacional do Cego, celebrado em 13 de dezembro, tem um significado especial para mais de 16,6 milhões de deficientes visuais em todo o Brasil.

Criada há 47 anos para preservar o direito à igualdade e solidariedade entre todos da mesma sociedade, a data representou um primeiro passo, embora ainda seja longo o caminho a percorrer para se fazer cumprir os direitos não só dos cegos, como das pessoas com qualquer tipo de deficiência.

A falta de fiscalização é um dos maiores impeditivos para garantir ao deficiente o direito à educação inclusiva. E São Paulo oferece fartos exemplos a respeito. Apesar de, numa iniciativa pioneira, a Secretaria Municipal de Educação ter criado os CEFAIs - Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão para dar apoio educacional e fomentar ações de formação, produção de materiais e desenvolvimento de projetos para atender as necessidades especiais de alunos com deficiência, os pais dessas crianças sentem-se inseguros quanto aos benefícios reais. Tanto que muitos se recusam a cadastrar seus filhos no referido órgão.

O cadastro não garante vaga com direito a atendimento na escola regular, conforme afirma grupo de mães atendidos pela ADefAV-CRIFES - Centro de Recursos para a Inclusão na Família, Escola e Sociedade para pessoas com surdocegueira, deficiência visual e múltipla.

"Já que a lei obriga meu filho a ir para a escola, é um direito dele ter a vaga, mas infelizmente isto nem sempre acontece", denuncia Simone, mãe de João José, hoje com 8 anos, mas que desde os 3 freqüenta a ADeFAV para complementar o seu tratamento de deficiência múltipla.

Na maioria dos casos, os pais não sabem onde fica a escola que aceitará seu filho, em que período haverá disponibilidade de vaga e se a mesma tem condições para receber esta criança. Reclamam, ainda, da responsabilidade que é atribuída a eles neste processo, pois após o cadastro têm de começar uma verdadeira peregrinação em busca de escolas que queiram e tenham condições de receber seu filho e, quando estas não existem, direções de escolas municipais forçam pais a assinar um termo de responsabilidade e usam critérios aleatórios para recebê-los.

"A diretora da escola que fui não recusou a matrícula, mas também não admitiu que a escola tem condições para receber meu filho. Não sei o que fazer", completa Simone.

De acordo com a atual política de inclusão educacional da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, toda criança com deficiência deve se cadastrar junto ao CEFAI, sob pena de a escola especial, que atende suas necessidades pedagógicas e terapêuticas específicas, deixar de receber o repasse de verba da prefeitura. Mas, por outro lado paga o dobro para a escola regular aceitar sua matrícula, embora isto não assegure o atendimento diferenciado que garantirá sua inclusão, explica a diretora da ADefAV e também consultora do Programa Hilton Perkins para a América Latina, Maria Aparecida Cormedi. "Enquanto aqui na ADefAV as crianças vêem em média três vezes por semana, onde desenvolvemos atividades específicas para atender as suas necessidades individuais, na escola regular ela vai apenas uma vez por semana, muitas vezes sem ter quem entenda sua linguagem e atenda suas necessidades mais básicas, embora a lei determine ser seu direito ir todos os dias. Isto é fazer inclusão?", questiona a especialista.

Falta de estrutura física e de salas adaptadas, despreparo do professor, currículo não adaptado às condições da criança, ausência de cuidador, de materiais pedagógicos adequados e de monitoramento são algumas das carências que a escola regular enfrenta para acolher a criança deficiente, segundo relato de seus familiares.

De acordo com o último Censo do IBGE de 2000, só no Estado de São Paulo os deficientes visuais representam cerca de 150 mil pessoas, muitos dos quais ainda acumulam outras deficiências como surdez. Sobre eles não existem dados oficiais nem a valorização do trabalho realizado pelas escolas especiais em prol do desenvolvimento dessas crianças, na opinião de Cormedi. "Como centro especializado em surdocegueira e deficiência múltipla, a ADefAV pode além de treinar profissionais da escola regular sobre como tratar esta criança deficiente, ser parceira no trabalho para viabilizar a inclusão", completa.

Mães e ADefAV concordam que a inclusão é necessária, mas defendem que as condições previstas pela lei não só sejam cumpridas como adaptações efetuadas para permitir sua viabilização. Entre crianças que não enxergam e também não andam, não ouvem, não desenvolvem atividades sozinhas, a diferença de necessidades e cuidados é enorme. "O aluno deficiente tem de ser tratado como igual, mas suas necessidades são diferentes. Para o pleno êxito do processo de inclusão, estas diferenças precisam ser levadas em consideração", ressalta Cormedi.

Depoimentos

Domitila Salles, 25 anos, é prova de que quando os potenciais das pessoas com deficiência são trabalhados o mais cedo possível, os resultados são surpreendentes. Apresentando perda auditiva e visão subnormal em conseqüência de rubéola materna durante a gravidez, ela iniciou seu tratamento educacional na ADefAV/CRIFES já com dezoito meses. O treinamento em linguagem gestual acelerou seu desenvolvimento e permitiu cursar o Ensino Fundamental, utilizando intérprete para surdos. Hoje, Domitila não só trabalha como auxiliar administrativa em uma metalúrgica como freqüenta faculdade de Administração de Empresas.

Já o preconceito, talvez seja a maior das barreiras que aqueles que vivem no silêncio e na escuridão tenham de enfrentar. "Em muitas situações, a negligência da família e de algumas esferas do poder público beiram o abandono total, caracterizando casos primitivos de desenvolvimento. Em muitas partes deste país, não raro é possível ver crianças com surdocegueira colocadas em caixotes, vivendo como animais," denuncia o surdocego e um dos fundadores da ABRASC - Associação Brasileira de Surdocegos, Alex Garcia, 32 anos.

Este gaúcho, que nasceu com uma rara síndrome cujas características incluem a surdez e a cegueira progressiva, acabou de escrever um livro sobre o tema. Primeiro escritor surdocego do país, Garcia arruma forças para combater a relação de subalternidade que a sociedade impõe aos deficientes áudio-visuais, ao mesmo tempo que busca treinar outras formas de comunicação para enfrentar a perda progressiva de sua visão e audição.

"Luto para acabar com a segregação social e conseguir das esferas do poder a implantação de políticas públicas e de educação que sejam adequadas ao desenvolvimento pleno dos surdocegos no Brasil," conclui Garcia.

Fonte: SEGS Portal Nacional
http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=19111&Itemid=1

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SP: SOBRAM VAGAS PARA DEFICIENTES POR FALTA DE QUALIFICAÇÃO

Uma lei determina que empresas médias e grandes contratem portadores de deficência, mas sobram vagas, pois falta capacitação.

Milhares de oportunidades de emprego estão disponíveis nos postos de apoio ao trabalhador da prefeitura e do estado de São Paulo.

Para conseguir contratar portadores de deficiência, as empresas estão oferecendo cursos de capacitação. É o caso dos bancos, que têm três mil vagas à espera de candidatos.

Os bancos, assim como outras empresas que empregam mais de cem pessoas têm que obedecer uma lei federal de 1999 que determina a contratação de deficientes.

A empresa que tem até 200 empregados precisa preencher 2% dos postos de trabalho com pessoas portadoras de deficiência. De 201 a 500 funcionários a cota sobe para 3%, e de 501 a 1000 empregados, são 4%. Já nas empresas que têm mais de mil funcionários a cota deve ser de 5%.

Só no estado de São Paulo os bancos privados precisam contratar mais de três mil portadores de deficiência para cumprir a lei. As vagas existem, mas a baixa escolaridade e a falta de qualificação dificultam a entrada dessas pessoas no mercado de trabalho.

“A oportunidade da inserção profissional também deve andar simultaneamente com a oportunidade da elevação da escolaridade e da capacitação profissional”, afirma Sérgio Félix, coordenador do programa de inclusão da prefeitura.

O programa da Febraban é voltado para quem tem mais de 18 anos e já terminou o ensino fundamental. Na capital paulista estão abertas 529 vagas. Os aprovados já entram no curso como funcionários do banco, inclusive recebendo o salário de R$ 616, mais benefícios como vale-refeição, cesta básica, vale-transporte e plano de saúde.

Hoje os Centros de Apoio ao Trabalho de São Paulo de São Paulo oferecem 838 vagas para esse público, a maioria na área administrativa e em telemarketing. Os postos de atendimento ao trabalhador do estado têm outras duas mil vagas.

Quem não quer perder essas oportunidades pode procurar cursos como o que é oferecido pelo governo do estado em parceria com a associação para valorização e promoção de excepcionais. “Imediatamente ao término da qualificação, nós encaminharemos ao mercado do trabalho, através do site de intermediação de mão-de-obra, Emprega São Paulo”, afirma Juan Carlos Sanchez, coordenador de política de emprego.

“Hoje a maior parte das empresas ainda contrata porque a lei as obriga, quando na verdade deveriam contratar porque pessoas com deficiência, desde de que a ela sejam oferecidos recursos técnicos e humanos, elas podem chegar a metas e resultados como outras quaisquer”, garante João Ribas, coordenador do programa empregabilidade da empresa.

“O deficiente tem que ser visto pela empresa como um funcionário. As exigências têm que ser exatamente as mesmas. Faz parte deste processo de preparação e é por isso que a empresa investe, justamente para facilitar a inserção destes deficientes no mercado do trabalho”, diz Guilherme Cavallieri, vice-presidente de gestão de pessoas.

“Uma série de capacitações, de habilidades que deverão ser desenvolvidas para que elas possam verdadeiramente serem incluídas e não apenas estarem cumprindo uma cota dentro de uma organização”, garante Afonso Lamounier, consultor em RH.

Febraban: A Federação Brasileira de bancos oferece 215 vagas de auxiliar bancário para pessoas com deficiência (física, auditiva e visual) que têm o ensino fundamental completo. O programa oferece um supletivo do ensino médio com duração de um ano e uma qualificação técnica para o setor bancário por 3 meses.

O candidato que já tem o ensino médio pode se candidatar a uma das 314 vagas também de auxiliar bancário. O salário varia entre R$ 600 e R$ 675, mais benefícios como vale-transporte, refeição, seguro de vida e cesta-alimentação.

A jornada de trabalho será de 4 horas por dia, de segunda a sexta. Os candidatos devem se cadastrar nas unidades do CAT, no site
www.prefeitura.sp.gov.br/eficiente ou mandar os currículos para o e-mail oportunidade@isocial.com.br. As inscrições devem ser feitas até o dia 12 de dezembro de 2008.

Sert: A Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) oferece mil vagas, entre dezembro deste ano e fevereiro de 2009, para 16 cursos gratuitos de qualificação profissional para pessoas com deficiência.

Os cursos disponíveis são: empregado doméstico, faxineiro, jardineiro, recepcionista, vendedor de comércio varejista, controlador de entrada e saída, operador de computador, operador de telemarketing, técnico de vendas, assistente administrativo, porteiro de edifícios, recepcionista, auxiliar de escritório, recreador, governante de hotelaria e guia de turismo.

Os cursos serão realizados de segunda a sexta-feira, em meio período, totalizando 240 horas divididas em três meses. Podem se inscrever pessoas com deficiência que morem nas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá, Santos, Cubatão, Guarulhos, Tatuí, São José dos Campos, Taubaté e São Paulo. As inscrições podem ser feitas pelos telefones 4426-4066 / 4127-9333 / 3055-5000.

CATs: O Centro de Apoio ao Trabalho (CAT) oferece 838 vagas para pessoas com deficiência, sendo que 70% delas são para trabalhadores com ensino médio completo. As vagas são para o setor administrativo (assistente administrativo, auxiliar de escritório e auxiliares de cobrança), serviços (telemarketing, linha de produção e limpeza), além de ofertas de emprego como analista de sistema, programador de internet, advogado, setor de cobrança e técnicos de enfermagem.

Os salários variam de R$ 450 a R$ 2.000. Os candidatos devem se cadastrar nas unidades do CAT, pelo telefone 156 ou no site
www.prefeitura.sp.gov.br/eficiente.

Endereços:

Zona Sul / Interlagos Avenida Interlagos, 6.122
Zona Leste / Itaquera Rua Gregório Ramalho, 12
Zona Oeste / Lapa Rua Catão, 312
Zona Norte / SantanaRua Voluntários da Pátria, 1553
Zona Sul / Santo Amaro Rua Barão do Rio Branco, 864
Zona Central / Liberdade Rua Galvão Bueno, 782
Zona Central / Luz Rua Prestes Maia, 913

Fonte: Portal G1
http://g1.globo.com/Noticias/Concursos_Empregos/0,,MUL918254-9654,00-SOBRAM+VAGAS+PARA+DEFICIENTES+POR+FALTA+DE+QUALIFICACAO.html

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CAMPINAS DISPONIBILIZA TÁXI PARA CADEIRANTES

Campinas passa a ser a segunda cidade do País a disponibilizar táxi para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. O Rio de Janeiro já oferecia o serviço desde o início do ano dentro do projeto de receber a Olimpíada e a Paraolimpíada de 2016.

O primeiro veículo acessível da frota de Campinas foi apresentado oficialmente ontem, no Paço Municipal, com as presenças do prefeitos Hélio de Oliveira Santos (PDT), do secretário de Transportes, Gerson Bittencourt e do taxista Celso Francisco Sabino, que investiu R$ 27 mil para adaptar um Fiat Doblò.

Sabino começou a trabalhar com o veículo ontem mesmo, a partir do ponto da nova rodoviária. O taxista foi o pioneiro após ser sorteado entre sete concessionários cadastrados. “Optei pelo táxi adaptado por uma questão de solidariedade. Muitos passageiros que levo para clínicas sofrem muito quando precisam do transporte em veículos comuns”, afirmou.

Bittencourt disse que 20 modelos adaptados deverão circular em Campinas até junho do próximo ano. O secretário adiantou que pelo menos quatro táxis acessíveis ficarão no ponto da nova rodoviária e outros quatro no Aeroporto Internacional de Viracopos.

O investimento na adaptação deve partir do proprietário do táxi e a Prefeitura tem a incumbência de fiscalizar, acompanhar a adaptação e aprovar a concessão para o serviço. “Toda a adaptação foi acompanhada, avaliada e monitorada. O taxista passou também por treinamento e ele já está apto para atuar”, disse Bittencourt, se referindo a Sabino.

Conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), pelo menos 10% da população brasileira tem baixa mobilidade, o que representa, pelo menos, um universo de 100 mil pessoas em Campinas, considerando a população de 1 milhão de habitantes.

Por meio do Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI), desenvolvido pela Prefeitura, existem atualmente 20 microônibus e dois ônibus acessíveis em Campinas exclusivos para cadeirantes e pessoas com andador, que não pagam por esse transporte.

Além disso, o sistema urbano conta com mais 148 ônibus acessíveis, disponibilizados pelas cinco empresas concessionárias — os deficientes também circulam gratuitamente. Os táxis adaptados terão a mesma tarifa dos comuns. “Além dos passageiros costumeiros, o taxista passa a ter esta opção a mais, contribuindo com a inclusão social”, disse Bittencourt.

Opção importante:

A cadeirante Adriana Roberta Costa Duarte, que participou ontem da apresentação do veículo, disse que é muito importante criar essa opção. Magda Firmino, da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), disse que a medida contribui muito para a inclusão social e a expectativa é de ampliações na frota. Maria Delta Brito Ramos, presidente do Conselho Municipal de Direito da Pessoa com Deficiência, lembrou que os táxis acessíveis serão muito úteis e representam um grande passo para a inclusão dos deficientes na sociedade.

SAIBA MAIS

Como acionar o táxi acessível: pelo site www.campinas.sp.gov.br/urbanismo/cpa ou com o taxista Celso Francisco Sabino, nos telefones (19) 7807-9690, 9704-0435 e 9334-4146.

Cartilha orienta sobre mobilidade:

Foi lançada ontem também pela Prefeitura a cartilha Calçadas para Mobilidade e Acessibilidade — Guia de orientações e modelos em Campinas. Haverá distribuição em empresas e órgãos públicos para orientar e divulgar as leis e as regras pertinentes à mobilidade.

O prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) lembrou que, além do táxi acessível, Campinas conta com mais de duas mil rampas para garantir a mobilidade na cidade, calçadas acessíveis e a acessibilidade em prédios públicos, como a Prefeitura, Biblioteca Municipal e rodoviária. “E a frota de ônibus acessíveis deverá chegar a 200 unidades até o final do próximo ano”, afirmou o prefeito.

Fonte: Cosmo Online - 13/12/08
http://www.cosmo.com.br/noticia/16076/2008-12-13/campinas-disponibiliza-taxi-para-cadeirantes.html

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EM MARINGÁ DEFICIENTES COBRAM ACESSIBILIDADE NO COMÉRCIO

Comerciantes da Avenida Brasil, em Maringá, receberam panfletos explicativos sobre acessibilidade na tarde desta terça-feira (9) entregues por pessoas com deficiência que realizaram um manifesto para lembrar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

A ação foi promovida pela Secretaria da Assistência Social e Cidadania e Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A caminhada pretende conscientizar os empresários sobre a importância em adequar o comércio e assim garantir acesso livre para todas as pessoas.

Este é o segundo ano consecutivo que as ações focam a acessibilidade. "Ano passado já viemos ao centro da cidade solicitar mudanças nas lojas. Maringá está mudando, temos rampas em ruas e avenidas e as novas lojas procuram se adequar para atender todos os públicos. As que ainda não estão adequadas pedimos que reformem e ofereçam o tratamento que as pessoas com deficiência necessitam", comenta o coordenador de assistência aos deficientes da Sasc e membro do Conselho Municipal, Ismael Roberto Melo.

Durante a caminhada foi observado que muitos comerciantes oferecem estabelecimento acessível, a maioria com degrau de entrada da loja com altura de 1 centímetro, o que é recomendado. Os comerciantes que estão com o estabelecimento fora do padrão se comprometeram a estudar melhorias para garantir o direito de ir e vir de todos.

Além da estrutura física das lojas, os comerciantes foram alertados também para capacitar os funcionários e assim atender melhor pessoas com necessidades visuais, auditivas e especiais.

"Temos que pensar em todo mundo, não só nos cadeirantes, que hoje já têm uma situação mais favorável. Nossa luta é para assegurar o direito de todas as pessoas com qualquer tipo de deficiência", diz o presidente do Conselho, Edson Bastos.

A empresária Fátima Sampaio de Castro é um exemplo. Há cinco anos ela reformou toda sua loja e colocou todas as adaptações necessárias para atender pessoas com deficiência. A loja conta com rampa na entrada, elevador, araras mais baixas e um provador especial para esse público.

"Tenho inúmeros clientes com deficiência que se sentem bem em minha loja e por isso sempre voltam. Aqui temos toda a estrutura necessária para oferecer um atendimento de qualidade para todos".

Segundo dados do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, 14% da população de Maringá são pessoas com algum tipo de deficiência.

Fonte: Tribuna do Norte
http://www.tribunadonorte.com/index.php?setor=DETALHESNOTICIA&nid=199891

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